Missão Calebe fortalece chamado missionário de jovem após acidente que o deixou tetraplégico
Liderando uma equipe pela primeira vez, Alexandre Pimenta encontrou na missão um propósito que transformou sua segunda chance em serviço ao próximo


Um acidente alterou drasticamente a vida de Alexandre Araújo Pimenta há cinco anos. Aos 28 anos, o jovem começou a conviver com a tetraplegia e teve que lidar com uma nova situação caracterizada por limitações físicas, extensos períodos de recuperação e desafios emocionais. O que parecia atrapalhar seus planos acabou reforçando um objetivo que ele diz ter encontrado após aquele episódio: dedicar sua vida à missão.
Desde 2013, Alexandre participa da Missão Calebe e, neste ano, aceitou um desafio inédito. Pela primeira vez, comandou um grupo missionário durante uma campanha de evangelização realizada no povoado 2º Núcleo, às margens da BR-222, em Buriticupu (MA). Ao lado da mãe, Jace Lene da Costa Araújo, e com o apoio da igreja local, ele conduziu 14 dias de programação, que reuniram cerca de 30 pessoas por noite e culminaram em cinco batismos.
"Para mim, concluir essa Missão Calebe é um privilégio. Hoje me sinto preparado para novos desafios, sabendo que Deus está à frente de tudo", diz Alexandre.
Segundas chances

Depois do acidente, Alexandre passou dois meses internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sofreu três paradas cardíacas. Durante esse período, fez uma oração que, segundo ele, mudou completamente sua forma de enxergar a vida.
"Senhor, me ajuda. Eu não posso morrer aqui. Tenho muitas coisas para fazer", relembra.
Ao retornar para casa antes do previsto pelos médicos, ele passou a compreender aquela experiência como uma segunda oportunidade concedida por Deus.
"Hoje eu entendo que não posso desperdiçar minha segunda chance. Estou aproveitando como Deus permite."
Além da reabilitação física, Alexandre também enfrentou desafios relacionados à saúde mental. Diagnosticado com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), precisou lidar com crises de ansiedade antes de aceitar a responsabilidade de liderar uma equipe missionária.
O primeiro passo na liderança

O convite para assumir a liderança veio depois de um retiro espiritual feito no começo do ano. Naquele momento, Alexandre buscou o pastor Ivan Bispo para expressar um desejo de longa data: integrar-se a uma missão transcultural.
De acordo com o pastor, aquela conversa resultou em uma proposta diferente.
"Ele veio até mim e disse: 'Pastor, me ajude a fazer missão fora'. Então pensei: "antes de ir para o exterior, que tal fazer uma missão aqui no nosso distrito?"
Apesar das dúvidas que Alexandre tinha, a proposta foi aceita.
"Desde o começo, eu acreditei que ele seria capaz. O pastor acrescenta: "A intenção era montar um time para auxiliá-lo, e foi ele quem me incentivou a fazer esse convite".
Para Alexandre, assumir a liderança significava algo totalmente inédito.
"Eu vinha participando da Missão Calebe desde 2013, porém sempre de forma discreta. Nunca havia comandado um time, declarou.
Liderança que inspira

Durante a campanha evangelística, Alexandre se envolveu em visitas missionárias, estudos bíblicos e oportunidades de pregação. Ele relata que um dos maiores obstáculos foi superar o medo de como seria acolhido pelas pessoas.
"Antigamente, era simples visitar as casas a pé, cumprimentando e abraçando as pessoas. Atualmente, algumas me olham com compaixão. Porém, elas não têm consciência de que essa pessoa, por quem sentem pena, é uma pessoa feliz”, relata.
De acordo com ele, a felicidade não depende das circunstâncias. "A alegria que sinto não vem do meu coração, mas do Senhor Jesus", afirmou ele.
O pastor Ivan Bispo afirmou que a presença de Alexandre causou um impacto significativo tanto na comunidade quanto entre os voluntários.
"O Alexandre já é uma prova por si só. "Sua vida é um chamado para que outras pessoas sirvam a Deus", declara.
O pastor ressalta que os participantes da campanha foram impactados por sua maneira serena e acolhedora de liderar.
Os líderes da igreja disseram que ele apresentou uma abordagem mais tranquila e compassiva para liderar a missão. Isso incentivou muitos jovens a se engajarem mais no trabalho missionário”, concluiu.
Missão vivida em família

Alexandre realiza sua caminhada missionária acompanhado de sua mãe, Jace Lene da Costa Araújo. Além de estar presente nas atividades cotidianas do filho, ela se envolve em sua rotina espiritual, auxiliando-o na leitura da Bíblia e nos momentos de devoção.
Ela declara que o acidente mudou não só a vida de Alexandre, mas também a da sua família.
"Antes do acidente, ele não tinha interesse em se comprometer com a igreja. Acredito que ele compreendeu o chamado de Deus após esse episódio. "Hoje somos parceiros na missão de espalhar o evangelho", disse ele.
Para Jace, o maior milagre experimentado pela família não ocorreu como ela esperava.
"Eu desejava que meu filho recuperasse a capacidade de andar. Porém, o milagre ocorreu de uma maneira ainda mais surpreendente: ver o Alexandre se transformando em um missionário”, contou.
Missão sem barreiras
Além disso, a vivência fez o pastor Ivan Bispo pensar sobre a importância da inclusão na missão. De acordo com ele, a Missão Calebe deve ser um ambiente inclusivo para todos os jovens, sem considerar suas limitações.
A Missão Calebe não é destinada somente àqueles que não possuem limitações. Há muitos jovens com deficiência, autismo ou outras condições que também estão aptos a servir. "Todos podem participar da missão", afirma.
Alexandre possui a mesma convicção. Para ele, sua história só tem significado quando direciona para Deus.
"Antes, eu não compreendia o sentido da minha existência. Compreendo que todas as experiências que vivi contribuíram para minha jornada de volta para casa. "Não posso contar minha história sem colocar Deus em primeiro lugar", afirma.
Ele continua servindo onde está, convencido de que a missão começa muito antes de atravessar fronteiras, enquanto sonha em participar de missões transculturais no futuro.
"Se Deus me convocar para outro país, estarei preparado. “Mas aprendi que a missão começa aqui, com as pessoas que estão ao nosso redor”, concluiu.


