Projeto amplia uso de templo adventista com atividades de aprendizagem e acolhimento durante a semana
O projeto promove a integração entre igreja e comunidade, fortalecendo relacionamentos saudáveis e ampliando a participação dos moradores

Localizada nos confins da Serra do Espinhaço, no norte de Minas Gerais, a cidade de Grão Mogol registra temperaturas consideradas baixas nesta época do ano. Com pouco mais de 15 mil habitantes, o município conta com um templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que reúne cerca de 70 membros. Como forma de fazer a diferença na comunidade onde está inserida, a igreja, por iniciativa do pastor distrital José Júnior, criou o projeto Fios da Graça, desenvolvido ao longo de três meses.

“A expressão “fios" envolve o tecer nas agulhas no crochê. A palavra graça traz a ideia de que nenhum dos dons e talentos que usamos envolve algo para si, mas para envolver e salvar as pessoas”, explica o pastor.
Proposta
Segundo o pastor, a proposta é capacitar as mulheres da igreja para que aprendam uma nova habilidade, assumam a liderança das oficinas e desenvolvam autonomia para se tornarem discipuladoras das pessoas que participam do curso.
“Eu comecei a ministrar o curso porque, antes de me tornar pastor adventista, atuei durante três anos em uma cooperativa de corte, costura e artesanato. Então pensei em utilizar essa experiência como uma forma de evangelização. Como Grão Mogol realiza um festival de inverno, o projeto também prepara a comunidade para empreender durante esse período. Cada participante produz, em média, um cachecol a cada três ou quatro dias”, explica.
Orientação profética
Realizado nas dependências da igreja, o projeto, segundo o pastor José Júnior, tem o propósito de desenvolver essa iniciativa em um ambiente que também fortaleça a missão da igreja, com base na seguinte orientação de Ellen G. White:
"Toda igreja deve ser uma escola missionária para obreiros cristãos. Seus membros devem ser instruídos em dar estudos bíblicos, em dirigir e ensinar classes da Escola Sabatina, na melhor maneira de auxiliar os pobres e cuidar dos doentes, de trabalhar pelos inconversos. Deve haver escolas de saúde, de arte culinária, e classes em vários ramos de serviço no auxílio cristão. Não somente deve haver ensino, mas trabalho real, sob a direção de instrutores experientes."
A Ciência do Bom Viver, p. 149.
O pastor explica ainda que cada participante é responsável pela aquisição dos materiais utilizados na confecção dos cachecóis.

“Em conversa com a Secretaria Municipal de Saúde, fomos informados de que, caso haja necessidade, eles poderão doar lãs e outros materiais para beneficiar a população”, relata.
Oficinas
De acordo com o pastor, as oficinas de produção dos cachecóis tornam a igreja um espaço aberto à comunidade.
“Tornamos a igreja um lugar para a comunidade e com a comunidade, promovendo relacionamentos saudáveis entre igreja e população”, afirma.
Ele explica que, por meio da iniciativa, mais pessoas têm se aproximado da igreja, proporcionando tanto aos membros adventistas do distrito de Grão Mogol quanto à comunidade local a oportunidade de obter uma renda extra e fortalecer os vínculos entre os participantes.
Para José Júnior, o fato de o projeto acontecer dentro da igreja cria um ambiente acolhedor, favorecendo a aproximação entre membros e não adventistas, o desenvolvimento de amizades e, naturalmente, a oportunidade de oferecer estudos bíblicos.
“Promovemos relacionamentos saudáveis entre igreja e comunidade e quebramos a ideia de que a igreja existe apenas para evangelizar. Embora esse seja seu propósito central, ela também foi chamada para servir. Entendo que toda estratégia da igreja deve conduzir as pessoas ao evangelho por meio do serviço e do relacionamento”, enfatiza.
Aprender um ofício
Uma das participantes do projeto, Marisangela Lucas dos Santos, conta que conheceu o Fios da Graça por meio do pastor José Júnior. Segundo ela, a principal motivação para participar foi a oportunidade de aprender uma nova atividade que poderá trazer benefícios para sua vida.

“É uma atividade em que posso aprender, conquistar uma renda extra com a venda dos cachecóis e ainda exercitar a mente e a coordenação motora”, destaca.
O mesmo sentimento é compartilhado por Francisca Ziza de Souza, que ressalta também o espírito de união criado entre as participantes.
“Temos a oportunidade de conquistar uma renda extra após o curso e reconhecemos o amor e o carinho do pastor para com todos os participantes, assim como o acolhimento dos membros da igreja”, afirma.
Desenvolver novas habilidades
Aprender algo novo e desenvolver novas habilidades. Esse é o sentimento de Eliânia Rodrigues dos Santos Soares. Ela destaca o ambiente agradável, marcado pela amizade e pelo companheirismo, que se fortalece a cada encontro.
Segundo Eliânia, a iniciativa demonstra o cuidado da igreja com a comunidade, revelando interesse pelo bem-estar das pessoas, gerando oportunidades e promovendo acolhimento.
“Muitas vezes, é por meio de projetos como esse que algumas pessoas encontram a oportunidade de recomeçar em diferentes áreas da vida. Sinto-me acolhida e em casa. Aqui aprendo, converso e percebo o amor de Deus sendo demonstrado por meio das pessoas”, finaliza.


